Contra o aborto

Posted in Uncategorized on July 25th, 2013 by D. Vespa

[Faz tempo que não escrevo aqui, nem sei se é o melhor lugar para postar algo a sério. Mas este é um texto que escrevi no Facebook e não gostaria que ele ficasse perdido em infindáveis scrollings]

A melhor forma de ser contra o aborto é ser a favor da descriminalização do aborto. Por mais paradoxal que pareça, isso faz muito sentido uma vez que se olha para um contexto certo.

Uma vez legalizado, a mulher que pensar em abortar não vai chegar no consultório e simplesmente dizer “quero tirar” e tudo estará resolvido, vai pra sala de cirurgia e pronto, aborto feito.

Não.

Ela vai passar por um psicólogo ou assistente social e discutir se, de fato, é o que ela quer – e é isso que tem diminuído as taxas de aborto no Uruguai.

Por quê a forma como a coisa funciona hoje no Brasil favorece o aborto (além de contribuir pra morte de milhares de mulheres)? É fácil imaginar uma mulher que tem uma gravidez indesejada entrar em pânico: como vai contar para a família, para o namorado, como a sociedade vai reagir e, nesse estado de espírito, toma a decisão (em geral precipitada) de fazer o aborto – e agarra qualquer chance de fazê-lo, seja em clínicas clandestinas, tentando métodos horríveis como tomar remédios misturados, usar cabides, etc. Se ela tivesse apoio social, ia pensar duas, três vezes antes de tomar essa decisão, ter com quem se aconselhar ao invés de tomar uma decisão dessa magnitude num momento de desespero.

Um outro ponto importante: não dá para entender muito bem a existência de associações “pró-vida” – primeiro porque não conheço ninguém “pró-morte” e, em segundo lugar, porque esse tipo de associação é totalmente hipócrita: no fundo, defendendo a ilegalidade do aborto, eles só tiram esse direito da população mais pobre – qualquer um que tenha uma condição de classe média pra diante consegue aqui ou ali um médico que faça o procedimento dentro de um ambiente estéril e com o equipamento adequado – ou seja, também é uma questão de justiça social.

E, além de tudo isso, o dinheiro poupado para tratar as consequências de abortos feitos sem condições poderia ser reinvestido em educação sexual e prevenção.

Então, se você realmente acha que é legalizar o aborto é um problema ético ou mesmo religioso, pare para pensar no tanto de vidas humanas que essa legalização pode salvar, tanto de mulheres quanto bebês.

O Uruguai está aí para comprovar a teoria.


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Quadrinhos gourmet

Posted in aleatórios, quadrinhos on February 26th, 2013 by D. Vespa


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Lombrinha, o responsável

Posted in lombrinha on October 17th, 2012 by D. Vespa

Lombrinha e a responsabilidade


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O comentarista randômico

Posted in observações, textos on October 2nd, 2012 by D. Vespa

O comentarista randômico, cientificamente conhecido como “parlamentantis reaccionarum“, é uma das inúmeras espécies que permeiam a internet. Esta graciosa criatura é encontrada em quase toda a extensão da Web mas, os maiores bandos, são comumente avistados nos boxes de comentários dos grandes jornais ou, em algumas ocasiões, no Youtube, blogs e inúmeras redes sociais.

Esta espécie é também muito encontrada no Facebook mas, sendo uma criatura tímida e muito arisca, usa sua habilidade de camuflagem para esconder-se em meio à multidão – e você só percebe sua presença quando, discretamente, ele compartilha algo como, por exemplo, uma imagem de algum suposto bandido baleado na cabeça, e exalta o bom trabalho que o estado fez ao garantir o cessar da vida alheia. Aqui, em terras facebookianas, ele nunca profere opiniões ou soluções próprias, limita-se apenas a compartilhar e replicar o canto do seu bando, prevenindo que qualquer argumentador sensato (seu pior predador) encontre-o e, em público, coloque-o numa situação que não conseguirá argumentar sem esbravejar, vociferar e apelar para ideias que sucintam o ódio à tudo aquilo que lhe parece “errado” apenas por escapar de sua vontade de compreender. O Facebook pode ser um lugar bastante cruel para este pequeno fruto da mãe natureza.

Mas, em seu habit natural, ele usa da impessoalidade da internet para tecer seus ataques sem sofrer represálias, em busca de alimento. Sua dieta é baseada em ódio e rancor, portanto, quanto mais comentaristas randômicos estiverem em um ambiente, mais saciados de sua fome estarão. Com sorte, eles até conseguem nesses ambientes hostis reproduzir-se: a reprodução deles consiste em infectar um inocente filhote de internauta comum (interneticus vulgaris). O filhote é igual em tudo ao internauta original, mas perde o senso crítico e o respeito pelas ideias do próximo.

Um comentarista randômico típico entrará em qualquer página de notícias que possua propostas com as quais não concorda e disparará, sem o menor pudor, os mais terríveis comentários a respeito – mas, claro, por sua timidez intelectual, não proporá nada como solução alternativa. Quando atinge a idade adulta, o comentarista randômico começa a não somente comentar matérias de seu desagrado, mas usa de qualquer espaço e tentará, através de seus urros rancorosos, atrair o maior número de outros de sua espécie, todos berrando numa cacofonia ininteligível para ouvidos sensíveis. Não importará se o tema da matéria é, por exemplo, física quântica: ele conseguirá, de alguma forma, ligar a política, religião ou agredir àlguma minoria que, na sua visão, supostamente “consome” seus recursos (que chamamos cientificamente de “reação-pago-meus-impostos-e-tenho-direitos”). Aliás, é interessante ressaltar que  já foi mais que comprovado que comentaristas deste gênero não tem senso de contrato social e, se privados muito tempo de internet, poderiam atacar a si mesmos se postos em frente a um espelho, graças à energia destrutiva acumulada.

Alguns desta espécie chegam a estabelecer até mesmo grupos com milhares de indivíduos. Essas aglomerações são chamados de Reinados, e um líder-alfa espumante e desconfiado zelará pela manutenção de alimento de todo o bando, usando de sua força para conquistar espaço além dos comentários, indo para as fronteiras dos comentários para os textos de blog propriamente ditos e – quiçá – até mesmo de revistas e jornais, garantindo a sobrevivência e reprodução de sua espécie.

Mas, infelizmente, essa espécie maravilhosa do reino animal tem seu nemesis: a medida que eles geram mais e mais ódio, exigem mais e mais dureza de seus líderes, comentaristas randômicos ameaçam a si mesmos de serem vítimas do ambiente que eles tentam criar. Os comentaristas, ao entrar em contato com outras espécies, funcionam como peixes pilotos, e ajudam os grande predadores a pegar presas que, em sua visão, seriam problemas para sua própria segurança – mas sempre se esquecem que quando as presas acabam, os grande predadores continuam precisando saciar sua fome e, sem ressentimento algum, não deixará de transformar seu antigo aliado em sua nova fonte de alimento.

Professor D. Vespa é PaleWebiológo é co-fundador da Cientific Whorpa Foundation e Revista PaleWebiologia Moderna


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Amigo é coisa pra se guardar

Posted in apocalipse on February 2nd, 2012 by D. Vespa


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Mais Happy Family

Posted in desenhos on November 10th, 2011 by D. Vespa

Mas desta vez uma que valha a pena. :)

 


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Lombrinha, um doce de dinossaurinho

Posted in lombrinha, quadrinhos on November 1st, 2011 by D. Vespa

Lombrinha, brincando com os amigos


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Lombrinha, um rapaz de família

Posted in lombrinha, quadrinhos on September 29th, 2011 by D. Vespa

Lombrinha, um doce rapaz


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Familinha Feliz – pack de expansão

Posted in aleatórios, textos on May 17th, 2011 by D. Vespa

Montei um pack de expansão pra esses adesivinhos maneiros que as pessoas supimpas estão usando pra destruir a lataria dos carros. Tentei abranger os membros das famílias que ninguém lembra – ao menos eu nunca vi estes na banca de jornal pra vender. Acredito que eles devem sentir-se excluídos, uma espécie de “gente diferenciada” dentro do próprio núcleo familiar.

Tio bêbado

Pai/Tio bêbado

Quem nunca teve uma festa de aniversário que um tio ou pai mamado que arrumou briga ou vomitou nas crianças? Essa figura folclórica, que sempre teve lugar em nossos corações, agora tem uma representação pictográfica para morar também na traseira do carro da família.

Parente morto

Parente morto

Afinal, não é porque morreu que deixou de ser parte da família. Esse adesivo pode ser personalizado com o nome do falecido, uma bonita homenagem.

Familiar Presidiário

Parente presidíario

Aquele parente que está distante mas nunca sai da memória e que em alguns anos voltará ao seio familiar. Nesse caso especifico não é um adesivo e sim um imã, para que ele seja reaproveitado pra cada camburão que ele passear.
Monstro do espaço

Monstro do espaço

Você faz parte de alguma seita maluca? Acredita no ET de varginha? Esta ansioso pelas mensagens do ET Bilu? Este adesivo é feito pra você! Há quem use como representação de sogras também, mas isso não é aconselhável – tende a dar alguns conflitos familiares.

Zé Droguinha

Aquele primo, irmão, cunhado ou simplesmente alguém que apareceu em casa e ninguém tem muita certeza se é parente ou não, mas é suuuuper mente aberta e tem um pensameeeento suuuuuper pra frente, muitas vezes tão pra frente que ele nem mesmo consegue alcançar.

Dançarina Exótica

Dançarina Exótica

Com tantos filhos delas por aí, não poderiamos deixar de fora as pu… Dançarinas exóticas. Pode ter certeza, este é um dos adesivos que mais aparecerão no trânsito, milhares de motoristas, grande parte de ônibus, motoboys e playboys, mostrando seu apreço pela mãe.

parente morto vivo

Parente morto-vivo*

Esteja preparado para o apocalipse zumbi com este lindo adesivo! Saia na frente de todo mundo e garanta agora o seu, antes que a demanda futura acabe com todos os estoques

Gêmeos siameses

Gêmeos Siameses

Se sua família foi abençoada com a sorte de ter duas novas bocas pra alimentar mas apenas um estômago, este adesivo será(ão) a(s) representação(ões) do(s) seu(s) pimpolho(s).

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Quem quiser o arquivo pra imprimir/fazer essa expansão, é só entrar em contato comigo. Sugestões para novos familiares também são bem vindas – vamos incluir todos aqueles que foram esquecido por essa elite burguesa que molda as regras dos adesivos de familinha feliz. Seja babaca de por estes adesivos no carro, mas UM BABACA DE ATITUDE!

*Parente morto vivo – sugestão do amigo @pigmeuftr


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O dia que o Twitter parou

Posted in textos on March 24th, 2011 by D. Vespa

O Twitter está fora.

Pessoas correm pelas ruas, mães abraçam seus filhos e muitos estão caminhando com olhar vazio, desorientados. Muitos choram a falta de informação – “o que nós faremos sem onde postar? Como expressar o que estou pensando sem o Twitter?”.

Em poucas horas milhares de pessoas começam a sofrer de insuficiência de egolatria, perdendo, aos poucos, sua capacidade de falar devido a inundação de pensamentos represados, afinal, sem o Twitter, elas não tem como dar vazão a eles. No periodo de um dia, a coordenação motora começa a ser afetada também: dedos tentam digitar no vazio, movimentos atáxicos gerados pela deficiência de twitter no seu dia.

Quase um dia depois do apagão do Twitter, os antes quase catatônicos começar a recuperar sua capacidade de fala – mas não a sua capacidade de ordenar pensamentos. Frases de 140 caracteres sem sentido começam a ser gritadas pelos abstinentes em todos os lugares. Alguns ainda acariciam seus iPhones, quase psicóticos, sem querer aceitar a realidade que não há mais vida naquele corpo de texto. Todos os memes foram esquecidos.

Pessoas começam a morrer de fome pelas ruas pois, sem Twitter, muitas jamais souberam que era hora do almoço. Pessoas são pegas desprevenidas por tempestades pois não são mais informadas via feed que está chovendo – outras, mais adaptadas a nova realidade, conseguem evitar estas tormentas voltando aos hábitos de nossos ancestrais: olham pela janela antes de sair e re-descobrem, surpresos, que aquele incomodo no estômago significa fome.

Muitos se suicidam por conta do sentimento de vazio.  Que fazer num mundo sem Twitter? Sequer se pode reclamar via Twitter que não se tem mais onde twittar. Os que conseguiram resistir, tiveram que arrumar outras alternativas para continuar suas vidas. Muitos  chegaram até mesmo ao extremo de voltar a trabalhar ao invés de enrolar na internet.

No terceiro dia menos de 100.000 pessoas ainda permanecem vivas e conectadas. Elas descobriram que são imunes à falta de Twitter, seus organismos são adaptados para suprir a falta de egolatria por outras emoções e sentimentos e, estes poucos bravos, são os que retomarão os rumos do mundo e reconstruirão a nossa sociedade.

Quem diria que o vício em World of Warcraft garantiria a sobrevivência destes à falta de Twitter? Resta agora somente a esperança de que, um dia, estes seres desliguem-se um pouco dos jogos e tentem, ao menos uma vez em suas vidas, reproduzir para garantir a continuidade da espécie humana.

Até que isso aconteça, tudo que podemos experimentar é a incerteza…


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