O comentarista randômico

Posted in observações, textos on October 2nd, 2012 by D. Vespa

O comentarista randômico, cientificamente conhecido como “parlamentantis reaccionarum“, é uma das inúmeras espécies que permeiam a internet. Esta graciosa criatura é encontrada em quase toda a extensão da Web mas, os maiores bandos, são comumente avistados nos boxes de comentários dos grandes jornais ou, em algumas ocasiões, no Youtube, blogs e inúmeras redes sociais.

Esta espécie é também muito encontrada no Facebook mas, sendo uma criatura tímida e muito arisca, usa sua habilidade de camuflagem para esconder-se em meio à multidão – e você só percebe sua presença quando, discretamente, ele compartilha algo como, por exemplo, uma imagem de algum suposto bandido baleado na cabeça, e exalta o bom trabalho que o estado fez ao garantir o cessar da vida alheia. Aqui, em terras facebookianas, ele nunca profere opiniões ou soluções próprias, limita-se apenas a compartilhar e replicar o canto do seu bando, prevenindo que qualquer argumentador sensato (seu pior predador) encontre-o e, em público, coloque-o numa situação que não conseguirá argumentar sem esbravejar, vociferar e apelar para ideias que sucintam o ódio à tudo aquilo que lhe parece “errado” apenas por escapar de sua vontade de compreender. O Facebook pode ser um lugar bastante cruel para este pequeno fruto da mãe natureza.

Mas, em seu habit natural, ele usa da impessoalidade da internet para tecer seus ataques sem sofrer represálias, em busca de alimento. Sua dieta é baseada em ódio e rancor, portanto, quanto mais comentaristas randômicos estiverem em um ambiente, mais saciados de sua fome estarão. Com sorte, eles até conseguem nesses ambientes hostis reproduzir-se: a reprodução deles consiste em infectar um inocente filhote de internauta comum (interneticus vulgaris). O filhote é igual em tudo ao internauta original, mas perde o senso crítico e o respeito pelas ideias do próximo.

Um comentarista randômico típico entrará em qualquer página de notícias que possua propostas com as quais não concorda e disparará, sem o menor pudor, os mais terríveis comentários a respeito – mas, claro, por sua timidez intelectual, não proporá nada como solução alternativa. Quando atinge a idade adulta, o comentarista randômico começa a não somente comentar matérias de seu desagrado, mas usa de qualquer espaço e tentará, através de seus urros rancorosos, atrair o maior número de outros de sua espécie, todos berrando numa cacofonia ininteligível para ouvidos sensíveis. Não importará se o tema da matéria é, por exemplo, física quântica: ele conseguirá, de alguma forma, ligar a política, religião ou agredir àlguma minoria que, na sua visão, supostamente “consome” seus recursos (que chamamos cientificamente de “reação-pago-meus-impostos-e-tenho-direitos”). Aliás, é interessante ressaltar que  já foi mais que comprovado que comentaristas deste gênero não tem senso de contrato social e, se privados muito tempo de internet, poderiam atacar a si mesmos se postos em frente a um espelho, graças à energia destrutiva acumulada.

Alguns desta espécie chegam a estabelecer até mesmo grupos com milhares de indivíduos. Essas aglomerações são chamados de Reinados, e um líder-alfa espumante e desconfiado zelará pela manutenção de alimento de todo o bando, usando de sua força para conquistar espaço além dos comentários, indo para as fronteiras dos comentários para os textos de blog propriamente ditos e – quiçá – até mesmo de revistas e jornais, garantindo a sobrevivência e reprodução de sua espécie.

Mas, infelizmente, essa espécie maravilhosa do reino animal tem seu nemesis: a medida que eles geram mais e mais ódio, exigem mais e mais dureza de seus líderes, comentaristas randômicos ameaçam a si mesmos de serem vítimas do ambiente que eles tentam criar. Os comentaristas, ao entrar em contato com outras espécies, funcionam como peixes pilotos, e ajudam os grande predadores a pegar presas que, em sua visão, seriam problemas para sua própria segurança – mas sempre se esquecem que quando as presas acabam, os grande predadores continuam precisando saciar sua fome e, sem ressentimento algum, não deixará de transformar seu antigo aliado em sua nova fonte de alimento.

Professor D. Vespa é PaleWebiológo é co-fundador da Cientific Whorpa Foundation e Revista PaleWebiologia Moderna

Posts Relacionados:

  • Não há posts relacionados.

Sobre a produção de conteúdo (ou A Internet está virando um grande RT)

Posted in observações, textos on February 12th, 2010 by D. Vespa

Eu já falei isso num post anterior e repito: acho horrível a forma como as pessoas consideram mais importante ter um blog com uma audiência nas alturas ao invés de ter um blog bom. A internet está virando um grande vácuo onde uns poucos criam ou registram alguma informação e muitos replicam-na sem critério algum, criando um ruído imenso de diversidade nenhuma, uma grande cacofônia de uma nota só.

Não consigo ver sentido em coisas como criar uma lista de “X coisas de tal assunto” e simplesmente agrupar coisas e nada mais, sem sequer dar uma visão pessoal ou produzir algo em cima daquilo. Pior, fazer isso e ainda ter por objetivo ser um site/blog/twitter que sirva de referência para outros sendo mero replay do trabalho de outros.  Juntar vídeos, imagens ou frases soltas de pessoas influêntes é fácil, qualquer agregador de conteúdo capenga faz isso.

Muitos podem vir e me acusar de que o outro blog do qual participo também é assuntos que, por vezes, já forma exaustivamente discutidos na internet – mas nesse caso eu rebato:  é um assunto focado que nós, do Fronteira Final, lidamos todo dia. Cada experiência lá relatada é realmente nossa, sendo testada e vivida para só depois passar pra diante, não mero copy-paste de sites especializados. Não, não sou contra listas, só acho que elas tem que ter coerência: muitos sites bons são feitos destas forma, o autor do texto em geral apresenta-as para justificar algum produto que usou a dita lista como referência ou, melhor, explica a semântica/semiótica e todos por ques daquilo ter assumido aquela determinada forma naquele determinado contexto, indo muito além de uma mera galeria de imagens de propósitos totalmente vazios, sendo não mais que uma encheção de linguiça talvez para manter audiência, talvez para parecer uma pessoa de cultura para outros.

Não descarto também que existam blogs que desde o começo tem essa característica de “garimpeiros”, e que são deveras úteis como repositório de informação – mas se estes já existem, por que não contribuir com eles ao invés de criar mais um gerador de eco? Ainda por cima se for um gerador de eco destes geradores de eco?  Se realmente quer compartilhar isso no seu blog, bacana, faça-o, mas pra que replicar o material no site se você pode simplesmente passar o link para a pessoa conferir o material direto na fonte?

Acredito que uma vez que se assume a séria posição de produtor de conteúdo, se você não prezar pela qualidade do produzido em prol da audência, cai na mesma situação tão criticada por todos em relação à TV, que produz programas mediocres apenas para dar circo ao cidadão mediano – e nada mais além disso.

Só um desabafo.

Posts Relacionados:

Tags: , ,

Má escolha de nome

Posted in blog, observações on December 17th, 2009 by D. Vespa
Auto Posto Biriba

Auto Posto Biriba

Não gosto de fazer dois posts só de foto em sequência, mas essa aqui precisava ser partilhada. Melhor que isso só se o posto chamasse “Auto posto BUUUUUM!”.

Posts Relacionados:

  • Não há posts relacionados.
Tags: ,

Nightcrawler x Avatar

Posted in observações on December 16th, 2009 by D. Vespa
NightCrawler (ou Noturno) dos x-men e um Na'vi do filme Avatar

Nightcrawler (ou Noturno) dos X-Men e um Na'vi do filme Avatar

Eu fiquei bastante incomodado com a semelhança. Não vou deixar de ver o filme por isso, mas será MESMO que ninguém percebeu a semelhança entre os Na’vi e o x-man durante a produção?

Posts Relacionados:

  • Não há posts relacionados.
Tags: , , ,

Neuras, manias, internetices e contradições pós-modernas.

Posted in observações on December 7th, 2009 by D. Vespa
  • Você acorda, vai pro escritório e abre sua caixa postal. Nenhum e-mail novo, sequer um spam. Curiosamente você sente um vazio interior e até um pouco de decepção. Carência virtual.
  • O Twitter sai do ar e sua primeira reação é querer postar NO TWITTER que o Twitter baleiou.
  • Paulistano (e habitantes de outras cidades também, mas aqui eu acho que é mais crônico) passa todo dia por lugares diversos da cidade coberto de grafites, alguns fantásticos outros exdrúxulos. Mas só vai parar pra prestar atenção e achar lindo quando os caras enfiam todos esses trabalhos numa exposição chique na V. Madalena (estejam os desenhos em qualquer uma das categorias)
  • Falta luz e o cidadão quase morre de tédio.
  • Quando você percebe que já baixou todos os seriados dá semana tem um pequeno ataque de pânico. “E se eu tiver que me entreter com TV aberta, Jesus?!”
  • Você tem que abrir o Twitter a todo momento que tiver chance. Se não o fizer, existe risco de deixar alguma mensagem passar (não importa que você saiba que é quase impossível que perca algo importante).
  • A overdose de informação é tanta que você não consegue mais levar nenhuma notícia a sério. Um LOL Cat e a morte do Lombardi tem o mesmo potêncial pra piada.
  • Cai uma ponte na sua cidade e você reage com um “de novo?” ao invés de ficar revoltado com o corrupto que botou aquele bando de incompetente pra construir. Aliás, muito provavelmente a maior parte das pessoas vai votar no sujeito sem dó, convencida que é intriga de oposição (mesmo povo este que fica revoltado com o fato de tanto panaca ser enganado pelas Igrejas Universais da vida).
  • Você não só não sabe o nome do vizinho da frente como tem medo que algum dia ele venha te importunar com alguma coisa.
  • A maior parte das pessoas está mais interessada em saber se você está fazendo a sua parte e te cobrar por isso do que fazer a parte delas.
  • Muita gente se diz ateu ou não-religioso, mas abraça fanaticamente vegetarianismo, times de futebol, causas artísticas quaisquer, eco-apurrinhação (eco-chatos são os novos testemunhas de jeová) e [insira aqui a camisa idiota que quer seguir sem questionar]
  • Mais da metade das pessoas que  apóiam a lei anti-tabagismo são a favor da liberação da maconha. Particularmente eu nunca vi ninguém doido e chato por causa de cigarro, ou muito menos bater o carro por ter perdido reflexos por causa de tabaco. Cigarro dá câncer? Dá. Maconha também e, ainda por cima, estraga pra caramba o cérebro do cidadão.
  • Você reclama que as pessoas postam futilidades na internet mas não “desassina” ou critica a própria na cara dela. Vai que você perde um seguidor, né?
  • Fazemos duzentos testes diferentes na internet e dizemos que é porque é engraçado, quando na verdade levamos tão a sério que não divulgamos os resultados que não gosta.
  • Quando você tira um tempo para limpar a mente, sente culpa por não estar produzindo nada, lendo um livro, desenhando ou postando no seu blog.

Posts Relacionados:

Tags: , ,

Da série “O que diria o Notícias Populares?”

Posted in observações on December 7th, 2009 by D. Vespa

bombom-chora-386

“Adriana Bombom é possuída pelo espírito de Tião Macalé em rede nacional”

Ih… Nojento!

Posts Relacionados:

Tags: ,