Asmie

Posted in heresias, quadrinhos, Uncategorized on February 17th, 2017 by D. Vespa

um sujeito invocando um demônio pra lavar a louça em troca da alma. O demônio fica resmungando no fim da tira que foi o pacto mais burro que ele já fez.

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Contra o aborto

Posted in Uncategorized on July 25th, 2013 by D. Vespa

[Faz tempo que não escrevo aqui, nem sei se é o melhor lugar para postar algo a sério. Mas este é um texto que escrevi no Facebook e não gostaria que ele ficasse perdido em infindáveis scrollings]

A melhor forma de ser contra o aborto é ser a favor da descriminalização do aborto. Por mais paradoxal que pareça, isso faz muito sentido uma vez que se olha para um contexto certo.

Uma vez legalizado, a mulher que pensar em abortar não vai chegar no consultório e simplesmente dizer “quero tirar” e tudo estará resolvido, vai pra sala de cirurgia e pronto, aborto feito.

Não.

Ela vai passar por um psicólogo ou assistente social e discutir se, de fato, é o que ela quer – e é isso que tem diminuído as taxas de aborto no Uruguai.

Por quê a forma como a coisa funciona hoje no Brasil favorece o aborto (além de contribuir pra morte de milhares de mulheres)? É fácil imaginar uma mulher que tem uma gravidez indesejada entrar em pânico: como vai contar para a família, para o namorado, como a sociedade vai reagir e, nesse estado de espírito, toma a decisão (em geral precipitada) de fazer o aborto – e agarra qualquer chance de fazê-lo, seja em clínicas clandestinas, tentando métodos horríveis como tomar remédios misturados, usar cabides, etc. Se ela tivesse apoio social, ia pensar duas, três vezes antes de tomar essa decisão, ter com quem se aconselhar ao invés de tomar uma decisão dessa magnitude num momento de desespero.

Um outro ponto importante: não dá para entender muito bem a existência de associações “pró-vida” – primeiro porque não conheço ninguém “pró-morte” e, em segundo lugar, porque esse tipo de associação é totalmente hipócrita: no fundo, defendendo a ilegalidade do aborto, eles só tiram esse direito da população mais pobre – qualquer um que tenha uma condição de classe média pra diante consegue aqui ou ali um médico que faça o procedimento dentro de um ambiente estéril e com o equipamento adequado – ou seja, também é uma questão de justiça social.

E, além de tudo isso, o dinheiro poupado para tratar as consequências de abortos feitos sem condições poderia ser reinvestido em educação sexual e prevenção.

Então, se você realmente acha que é legalizar o aborto é um problema ético ou mesmo religioso, pare para pensar no tanto de vidas humanas que essa legalização pode salvar, tanto de mulheres quanto bebês.

O Uruguai está aí para comprovar a teoria.

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